Magreza, adeus. França proíbe as modelos anoréxicas

A França impõe a sinalização de fotos retocadas de modelos da moda e proíbe o emprego de manequins demasiado magras. A decisão se insere no contexto de uma política de combate à anorexia.

Por: Aurélie Franc – Le Figaro Santé

Fonte: Revista Saúde 247

Revistas de moda, cartazes, passarelas de desfiles de moda… A magreza é exibida em todo a parte, com orgulho… e desprezo por aqueles que carregam nos flancos alguns quilos a mais. Ao mesmo tempo, na França, dois artigos da Lei de Saúde de Janeiro 2016, cujos textos de aplicação foram publicados há poucos dias no Journal Officiel, levam adiante a luta contra a anorexia. O objetivo? Agir “sobre a imagem do corpo na sociedade para evitar a promoção de ideais de beleza inacessíveis”, ressalta o ministério francês, a fim de “prevenir os distúrbios do comportamento alimentar” entre os jovens que tomam as atuais manequins fashion como modelos.

A partir de outubro 2017, a menção “foto retocada” deverá obrigatoriamente ser colocada sobre toda e qualquer imagem modificada para afinar ou aumentar a silhueta de um modelo fashion. A providência concerne as fotos publicadas na web, e portanto nas redes sociais, na mídia em geral, nos cartazes, e também nos anúncios de qualquer tipo, nos catálogos e prospectos.

A anorexia é a segunda maior causa de morte de jovens entre 14 e 24 anos na França, depois dos acidentes estradais.

Um segundo texto, já em vigor, obriga os modelos femininos e masculinos que trabalham na França a fornecer um certificado médico indicando o seu índice de massa corporal (IMC, ou seja o peso dividido pela altura ao quadrado). “Sob a responsabilidade da Medicina do Trabalho, os médicos poderão desse modo dar aos manequins um certificado com duração máxima de dois anos (salvo exceções) atestando que o seu estado de saúde é compatível com o exercício da sua profissão”.

“De acordo com o artigo 20 da Lei de Saúde, as pessoas concernentes não poderão exercer suas atividades profissionais em caso de magreza “moderada” ou “severa”, explica Olivier Véran, neurologista, ex-deputado e relator de uma emenda relativa à outorga do certificado médico em questão. Essas duas categorias correspondem a um IMC inferior a 17 (54 quilogramas por 1,80 metro de altura, por exemplo). O texto da nova lei ressalta, no entanto, que “existem pessoas naturalmente ligeiramente magras (entre 17 e 18,5 IMC), e a lei não deve promover a discriminação. Mas a Organização Mundial da Saúde considera que uma pessoa não pode ter um IMC inferior a 17 de modo natural.

 

Anorexia, segunda maior causa de morte entre os jovens

Os dois textos são complementares: “O decreto que concerne a publicidade protegerá as jovens e as adolescentes das imagens irreais que lhes oferecemos. E a determinação do controle médico servirá para proteger as manequins da anorexia”, diz Frédéric Godart, sociólogo e autor do livro Sociologie de la mode (Editora La Découverte). Os distúrbios de comportamento alimentar atingem hoje cerca de 600 mil jovens na França e constituem a segunda maior causa de mortalidade dos que têm entre 15 a 24 anos, depois dos acidentes estradais.

“É igualmente simbólico que Paris, a grande capital da moda, tenha tomado essa decisão. Há anos a indústria da moda é criticada pelo fato de solicitar manequins demasiado magras”, diz Frédéric Godart

Não respeitar as novas leis pode significar multas bem pesadas: 37.500 (110 mil reais) euros em caso de esquecimento da menção “foto retocada”, e 75 mil euros (240 mil reais) mais seis meses de prisão em caso de contratação de manequim demasiado magra. Teremos realmente vencido a batalha quando, no conceito do grande público, a ‘anorexia chique’ se tornar um modismo completamente cafona”.

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