Consumismo emocional: a economia do vazio

Há um equívoco confortável que repetimos como um mantra: consumimos demais porque queremos demais. Não é verdade. Consumimos demais porque sentimos demais — e não sabemos o que fazer com isso. O consumismo contemporâneo não é sobre coisas. É sobre estados internos. É sobre a tentativa, sempre fracassada, de traduzir inquietação em objetos. Compramos para organizar o caos, para dar contorno ao difuso, para domesticar aquilo que não sabemos nomear. Mas o desejo que nos move não é material. É existencial. A promessa silenciosa. Todo ato de consumo carrega uma promessa implícita: isso vai te fazer sentir melhor. Não mais rico, nem mais confortável — melhor. Mais inteiro, mais reconhecido, mais vivo. E por alguns minutos, talvez funcione. Até que a inquietude ressurja.

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