O valor terapêutico da música

A música pode ser o remédio mais antigo da humanidade. Do alívio da ansiedade à redução da dor, a ciência começa a confirmar aquilo que os seres humanos parecem saber intuitivamente há milênios: a música é capaz de alterar o cérebro, o corpo e até a maneira como sentimos o sofrimento.

Há uma coisa que a música faz como poucas outras experiências humanas: ela entra em nós sem pedir licença.

Uma melodia pode fazer uma pessoa chorar sem que exista tristeza consciente. Pode ressuscitar, em segundos, uma lembrança esquecida há décadas. Pode acalmar uma criança, diminuir a ansiedade de um adulto, despertar um paciente aparentemente desligado do mundo e fazer um corpo acompanhar um ritmo mesmo quando as palavras já desapareceram.

Talvez por isso a humanidade tenha usado a música para celebrar, rezar, guerrear, trabalhar, amar, lamentar os mortos e enfrentar o medo desde os tempos mais remotos.

Agora, a ciência começa a compreender melhor aquilo que nossos ancestrais já pareciam saber de forma empírica e por intuição: a música não é apenas entretenimento. Ela é uma poderosa intervenção sobre o cérebro, o organismo e a psique.

E talvez exista aí uma das mais belas ironias da civilização: depois de criar medicamentos cada vez mais sofisticados, a humanidade começa a redescobrir o poder terapêutico de algo que seus ancestrais já conheciam – simplesmente ouvir, tocar, cantar e dançar uma música.

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