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Estudo vincula menor capacidade cognitiva e de inteligência emocional a visões preconceituosas defendidas pela direita

 

O estudo é um dos primeiros que exploram a relação entre capacidades emocionais, ideologias políticas e preconceito. Equipe de cientistas mediram as capacidades emocionais e cognitivas, bem como as ideologias políticas, de quase 1.000 estudantes de graduação belgas. Os resultados mostraram que os alunos que obtiveram pontuações mais baixas nos testes cognitivos e emocionais tiveram maior probabilidade de alcançar níveis muito mais altos nos testes que medem o autoritarismo de direita e a orientação de dominância social.

 Por: Stephen Johnson Fonte: Site bigthink.com

Pessoas que pontuam mais baixo nos testes de inteligência emocional e de capacidade cognitiva têm maior probabilidade de manter atitudes de direita e de desenvolver ideias preconceituosas, de acordo com uma nova pesquisa. Os psicólogos há muito se interessam em como os traços de personalidade e as habilidades cognitivas se relacionam com ideologias políticas e preconceitos. Pesquisas anteriores mostraram, por exemplo, que pessoas com habilidades cognitivas mais baixas têm maior probabilidade de manter atitudes de direita e preconceituosas. Mas relativamente poucos estudos examinaram como a inteligência emocional influencia esse mix psicológico e cultural. O novo estudo, publicado na revista alemã Emotion, é um dos primeiros a mostrar que pessoas com déficits de habilidades emocionais – bem como pessoas com déficits de habilidades cognitivas – têm maior probabilidade de ter opiniões de direita e preconceituosas.

Sutilmente racistas

Os resultados ecoam os de um estudo semelhante de 2017, que indicou que as pessoas que pontuaram mais baixo no quesito Inteligência Emocional eram mais propensas a ter pontos de vista de direita e eram sutilmente racistas. Por quê? Pessoas com menor inteligência emocional têm menos empatia e são menos capazes de assumir a perspectiva dos outros, sugeriram os autores. Em resumo, essas pessoas possuem pouca ou nenhuma visão dos outros, e passam a vida girando ao redor dos próprios umbigos.

No novo estudo, os pesquisadores avaliaram as ideologias políticas e as habilidades emocionais de cerca 1.000 estudantes de graduação belgas. Para medir as habilidades emocionais, os participantes fizeram três testes: o Teste Situacional de Entendimento Emocional, o Teste Situacional de Gerenciamento de Emoções e o Teste de Reconhecimento de Emoções de Genebra. Aqui está um exemplo de pergunta do Teste de Situação do Entendimento Emocional:

“Charles está esperando um amigo para assistir a um filme. O amigo está muito atrasado e Charles percebe que não conseguirão chegar ao cinema para ver o filme. É mais provável que Charles se sinta: [A] Deprimido, [B] Frustrado, [C] Irritado, [ D] Desdenhoso, [E] Angustiado “.

“Tá vendo? Este mapa mostra o furacão Dorian atingindo o Alabama… depois de ter sido mandado pela Hillary e o Obama”

Em uma segunda parte do estudo, as habilidades emocionais e cognitivas dos participantes foram medidas. Os resultados mostraram que os participantes que pontuaram mais baixo nos testes de capacidades emocionais – particularmente aqueles que medem entendimento e gerenciamento emocional – tiveram maior probabilidade de pontuar mais alto em medidas de autoritarismo de direita e orientação de dominância social.

Submissão à autoridade

Geralmente, as pessoas com alta pontuação no autoritarismo de direita estão especialmente dispostas a se submeter às autoridades políticas e a serem hostis a pessoas fora de seus grupos e aos que têm ideias e posições diferentes das suas. Enquanto isso, aqueles que obtêm uma alta pontuação na orientação de domínio social tendem a não gostar do igualitarismo e preferem a desigualdade tanto dentro de um mesmo grupo social quanto entre os diferentes grupos sociais.

“Os resultados deste estudo foram unívocos (que só tem um significado, uma interpretação; não ambíguo). Pessoas que apoiam a autoridade estabelecida e líderes fortes e que não se importam com a desigualdade – as duas dimensões básicas subjacentes à ideologia política de direita – mostram níveis mais baixos de habilidades emocionais”, afirma o autor do estudo, Alain Van Hiel, professor na Universidade de Ghent, na Bélgica.

Além disso, as pessoas que obtiveram pontuações mais baixas nos testes cognitivos e emocionais tinham maior probabilidade de concordar com afirmações como “a raça branca é superior a todas as outras raças”.

Apesar da clareza dos resultados obtidos, Van Hiel alertou que o estudo não poderia estabelecer causalidade. “Obviamente, deve-se ter cautela na interpretação de tais resultados”, afirmou Van Hiel. “Não se pode desacreditar nenhuma ideologia com base em resultados como os obtidos atualmente. Somente em um futuro distante seremos capazes de relembrar nossos tempos e, então, poderemos julgar quais ideologias eram as melhores. Pessoas dotadas de boas capacidades cognitivas e emocionalmente inteligentes também pode tomar decisões erradas”.