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Família disfuncional. Uma linhagem balaio-de-gatos

 

Quem nasce em uma família disfuncional tende a reproduzir suas características quando funda sua própria família. Sem tratamento, essa corrente continua e se agrava nas gerações seguintes.

Por: Equipe Oásis

Família disfuncional é uma família em que os conflitos, a má conduta e muitas vezes o abuso por parte dos membros individuais ocorrem continuamente e regularmente, fazendo com que outros membros acomodem-se com tais ações.

Crescer em uma família disfuncional pode deixar feridas com sérias consequências na vida adulta. No entanto, esse tipo de família é muito mais comum do que pensamos. A manipulação emocional, os comportamentos humilhantes, a falta de empatia e sensibilidade, problemas de comunicação e dependência são algumas das características que demonstram que uma família é disfuncional.

As crianças, quando crescem em uma casa desse tipo, precisam se adaptar para sobreviver e se proteger desse ambiente, que não é o mais apropriado. Além disso, estão expostos a padrões de comportamento disfuncionais que eles provavelmente repetirão mais tarde quando forem adultos.

No mundo todo, um número enorme de problemas começam numa família disfuncional. Esse ambiente primário, que nos ensina tantas coisas num tempo relativamente curto, com frequência deixa em cada um de nós marcas muito profundas. Ela pode condicionar em larga medida a personalidade de uma pessoa e sua maneira de ser no mundo.

Um esquema que se repete

Certas pessoas formam um casal e têm filhos segundo um esquema que se repete ou diante do qual elas foram reativas, mas que, no fundo, nunca foi questionado. Elas podem querer encontrar um sentido para uma vida que elas percebem como uma experiência destituída de objetivo. Às vezes, tais pessoas também provêm de famílias disfuncionais das quais querem escapar, sem ter consciência do preço elevado que costuma cobrar a autonomia.

De qualquer forma, a verdade é que, muitas vezes, aqueles que se juntam e formam um casamento não estão preparados – nem fisicamente, nem mentalmente ou emocionalmente – para fazê-lo. É assim que uma família disfuncional se forma. As consequências para cada um de seus membros são imprevisíveis, mas levam quase sempre à dificuldade ou à impossibilidade de conduzir uma vida plena e feliz.

O que torna uma família disfuncional? Aqui estão cinco características básicas desses grupos familiares:

1. A violência está presente na família disfuncional.

Existem numerosos tipos e graus de disfunções no seio de uma família. Trataremos aqui da família disfuncional que acarreta graves danos àqueles que a compõe. Com essa advertência, podemos dizer que a primeira grande característica desse tipo de família é o predomínio de relações que, longe de favorecer o seu desenvolvimento, o prejudicam.

Entendemos como abuso todo ato que tende a prejudicar uma outra pessoa que se encontra numa posição de desvantagem ou de vulnerabilidade. O abuso também pode ser entendido como um excesso de poder. Ou seja, como o exercício da autoridade sem lógica e sem moderação. A violência pode ser física, psicológica e/ou sexual. Em todos os casos ela acarreta graves consequências.

  1. Cada membro da família se sente indigno.

É muito comum e frequente que cada membro da família disfuncional seja obrigado a confrontar desafios que o próprio grupo familiar torna muito difíceis. Além disso, numa família que possua esse clima, é muito difícil encontrar alguém que seja capaz de compreender ou de se solidarizar com os sentimentos do outro. Com efeito, o que geralmente acontece é o contrário disso: tais sentimentos são negados ou desprezados.

É também muito comum que todos sejam intolerantes em relação às faltas ou erros dos outros. Que se critiquem mutuamente, às vezes de modo muito cruel. Os sentimentos destrutivos prevalecem, e é por causa disso que cada indivíduo desse grupo tende a achar que ele ou ela possuem pouco ou nenhum valor.

  1. Os membros da família testemunham a violência familiar.

É muito comum que, numa família disfuncional, um dos genitores ou os dois sejam dependentes de drogas ou álcool. Ou que um dos dois ou ambos sofram de alguma desordem emocional ou mental. Isso leva a situações muito estranhas e incompreensíveis para as crianças.

Mais precisamente, todo esse amálgama de problemas leva com frequência a episódios de alarido agressivo e violência que aterrorizam as crianças e contribuem para o estabelecimento de um conflito crônico entre os pais. O fato de ser testemunha de gritos, tapas e/ou socos e chutes ou de ser vítima deles marca e define os impulsos que traçam o dialogo interno de cada pessoa. Além disso, um temor impreciso passa a morar no interior daqueles que vivem essas experiências.

  1. O imprevisível, o caos e a insegurança passam a dominar.

Se existe uma coisa absolutamente necessária para que uma criança cresça com boa saúde, é a segurança e a estabilidade. Numa família disfuncional acontece o contrário. Numa família assim, o dia de hoje pode transcorrer sem dificuldades sérias, mas amanhã, o que poderá acontecer amanhã? A briga que aconteceu hoje pode não ter produzido grandes desgastes, mas e aquela que acontecerá amanhã, ou depois-de-amanhã? O membro de um família disfuncional vive uma insegurança permanente a respeito do que pode acontecer no momento seguinte.

Essa incerteza, esse caos e essa insegurança demolem emocionalmente as pessoas. Sobretudo as crianças. É muito provável que elas apresentem fortes características de estresse no quotidiano e de estresse pós-traumático a médio ou a longo prazo. Tais crianças tenderão a se tornarem nervosas, sensíveis, medrosas, tímidas (ou agressivas). Elas terão medo do mundo e até mesmo delas próprias.

  1. Você não pode falar, se confidenciar ou exprimir seus sentimentos.

Essas três interdições podem ser encontradas na maior parte das famílias disfuncionais. A primeira é a de não falar, não comentar nada daquilo que se passa na sua família. Você não pode se abrir, não pode se confidenciar com ninguém, porque todos os demais membros da família preferem que você não o faça. Você não pode falar daquilo que se passa porque, no fundo, quem é você para questionar aquilo que acontece com sua família?

Da mesma forma, você é educado a não ter confiança em ninguém. A família disfuncional se torna com frequência hermética, construindo para si um mundo fechado e corrosivo que é governado por uma lógica que é na verdade veneno puro. Tudo aquilo que é estranho e externo a essa bolha é quase sempre considerado com desconfiança. Assim sendo, se você não confia naquilo que se encontra nesse ecossistema, ou no exterior dele, as pessoas envolvidas tendem a viver num estado de tensão constante.

Uma família disfuncional necessita de uma intervenção terapêutica profissional. O efeito que ela exerce sobre cada um dos seus membros não é o mesmo. Em certos casos, essa marca pode ser devastadora. Em outros casos, ela condena a pessoa a uma existência tediosa na qual o medo prevalece sempre. A verdade é que se essa corrente não for interrompida, através da atenção e do cuidado de um profissional, a regra geral é que, por causa da inércia, os problemas continuem a se repetir e a aumentar de geração em geração.