Novo exoplaneta descoberto. Pode ser a maior descoberta do século

 

No que está sendo chamada de uma das maiores descobertas astronômicas do século, cientistas do Observatório Europeu do Sul (ESO) confirmaram ontem (24 agosto) a descoberta de um exoplaneta parecido com a Terra na zona habitável de Proxima Centauri – nossa estrela vizinha mais próxima. Detalhes da descoberta da equipe foram publicados na revista  Nature

Por: Jennifer Quellete – Revista Nature

Fonte: Site http://gizmodo.uol.com.br/

Rumores de um possível exoplaneta parecido com a Terra começaram a aparecer no dia 12 de agosto na revista semanal alemã Der Spiegel. Citando uma fonte anônima de dentro da equipe de pesquisa do Observatório La Silla, no Chile, a revista dizia que o suposto planeta “podia ser parecido com Terra e orbita a uma distância de Proxima Centauri que pode permitir a existência de água líquida em sua superfície – um requisito importante para o surgimento da vida.”

Agora sabemos que esses rumores são verdadeiros: existem evidências claras de um planeta orbitando a Proxima Centauri, uma pequena anã vermelha localizada a apenas 4,25 anos-luz de distância, um pouco mais próxima da Terra do que a famosa dupla Alpha Centauri A e B. O planeta está sendo chamado de Proxima b, e a equipe do ESO diz que a sua massa é de cerca de 1,3 vezes a da Terra.

Ele orbita a 7,5 milhões de quilômetros de Proxima Centauri, apenas 5% da distância entre a Terra e o Sol. Mas a estrela dele é muito mais fria do que nosso Sol, então Proxima b fica dentro da chamada “zona habitável” para exoplanetas, com temperaturas suficientes para haver água em estado líquido na superfície.

Desde que o primeiro exoplaneta foi descoberto em 1995, astrônomos já identificaram mais de 3.000 desses corpos celestes orbitando estrelas distantes. “Vivemos em um universo repleto de planetas terrestres,” disse Pedro Amado, do Instituto de Astrofísica de Andaluzia, durante uma conferência para a imprensa. Estrelas anãs vermelhas como a Proxima Centauri em particular são especuladas para abrigar diversos pequenos planetas rochosos parecidos com a Terra.

De acordo com o principal autor e coordenador do projeto Guillem Anglada-Escude, da Universidade Queen Mary, em Londres, as primeiras pistas desse novo planeta surgiram em 2013, mas não havia evidências o suficiente para confirmar a descoberta. A campanha de observação mais recente, chamada Pale Red Dot (porque a Proxima Centauri é uma anã vermelha), foi inspirada na famosa descrição de Carl Sagan de que a Terra é um “pálido ponto azul.”

A equipe de 31 cientistas de oito países diferentes usou o efeito Doppler para detectar uma oscilação fraca no espectro de luz da Proxima Centauri, que se aproximava e se afastava da Terra a cada 11,2 dias. Essa oscilação poderia ser causada pela força gravitacional de um planeta em órbita. Ao combinar dados da campanha Pale Red Dot com dados anteriores coletados entre 2000 e 2014, os astrônomos confirmaram um pico na mudança no efeito Doppler indicativo de um exoplaneta do tamanho da Terra.

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Infográfico comparando a órbita de Proxima b ao redor da anã vermelha Proxima Centauri com a mesma região do nosso sistema solar. Imagem: ESO/M. Kornmesser/G. Coleman.

A tecnologia para detectar Proxima b existe há pelo menos dez anos, então por que demorou tanto para astrônomos descobrirem esse planeta? É porque Proxima Centauri está bem ativa, e seu brilho natural pode imitar o sinal de um possível planeta. A equipe usou observações de outros dois telescópios para mapear como o brilho da estrela mudava com o passar do tempo, permitindo a eles excluir a possibilidade de um falso positivo. Há apenas 1 em 10 milhões de chances de que o sinal seja um falso positivo, segundo Anglada-Escude.

Não está claro se esse novo exoplaneta tem uma atmosfera. Como Proxima Centauri é uma estrela bastante ativa, Proxima b sofre de fluxos de raio-X aproximadamente 400 vezes maiores do que os que recebemos aqui na Terra, e isso pode fazer qualquer atmosfera desaparecer.

Mas Ansgar Reiner, da Universidade de Gottingen, na Alemanha, diz que isso depende de como e quando o planeta foi formado. Ele foi formado distante, com água presente, e então migrou para perto da sua estrela, ou ele se formou já perto de Proxima Centauri? O segundo cenário tornaria mais possível a existência de uma atmosfera.

“Existem muitos modelos e simulações que produzem resultados diferentes, incluindo possíveis atmosfera e água,” disse Reiners. “Não temos ideia, mas a existência [de uma atmosfera] é certamente possível.” Isso cairia bem para a possibilidade do planeta abrigar vida. E a proximidade relativa ao nosso sistema solar facilita a exploração robótica que pode ser viável dentro de uma geração.

“A vida de Proxima é de muitos trilhões de anos, quase mil vezes maior do que a vida restante do nosso Sol,” disse Abraham “Avi” Loeb, da Universidade de Harvard, que tem uma cadeira no conselho da iniciativa espacial Breakthrough Starshot do bilionário russo Yuri Milner, ao Gizmodo. “Um planeta rochoso habitável ao redor de Proxima seria a localização mais natural para onde nossa civilização poderia aspirar uma mudança depois da morte do Sol, daqui a cinco bilhões de anos.”

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Renderização artística da superfície de Proxima b. Imagem: ESO/M. Kornmesser

Anunciada em abril, a iniciativa Breakthrough Starshot é um programa de pesquisa e engenharia de US$ 100 milhões que visa preparar a base para as futuras viagens interestelares. O primeiro passo envolve a construção de “nanonaves” movidas a luz que podem viajar a até 20% da velocidade da luz. Tais espaçonaves conseguiriam chegar ao sistema estelar Alpha Centauri em cerca de 20 anos após o lançamento. Atualmente, os cientistas do projeto tentam demonstrar a viabilidade de usar feixes de laser potentes para impulsionar uma vela leve.

De acordo com Loeb, a descoberta de um planeta potencialmente habitável ao redor de Proxima Centauri oferece um excelente alvo para uma missão de reconhecimento. “Uma espaçonave equipada com uma câmera e vários filtros pode tirar fotos coloridas do planeta e verificar se ele é verde (abrigando a vida como conhecemos), azul (com oceanos de água na superfície), ou apenas marrom (com rochas secas),” disse ao Gizmodo. “A curiosidade em saber mais do planeta – mais importante de tudo, se ele abriga vida – vai dar à Iniciativa Starshot um senso de urgência na busca por mais fatos sobre o planeta, especialmente aqueles que não podem ser conferidos com os telescópios existentes na Terra.”

“Nós certamente esperamos que dentro de uma geração, lancemos essas sondas,” disse Peter Warden, do Breakthrough Prize Foundation, durante o anúncio – talvez até 2060. “Sabemos que há ao menos um alvo bastante interessante dentro do nosso sistema proposta. Podemos conseguir as imagens para saber se há vida lá, talvez até vida avançada. Essas são as grandes questões, e eu acho que elas serão respondidas ainda neste século.”

Foto de abertura: Conceito artístico do planeta Proxima b orbitando a estrela Proxima Centauri. Imagem: ESO/M. Kornmesser.

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