Como foi que viramos este bando de palermas?

Não sei quem é o autor dos cenários abaixo descritos. Mas assinaria sem pestanejar abaixo deles. E falo com conhecimento de causa: exatamente em 1959 eu era um misto terrível do Joãozinho, Luiz Carlos  e o Rubinho citados. Levei bronca, pancada, ajoelhei no milho e até me trancaram na sala da caveira (castigo que amei). Sobrevivi a tudo isso.

 Cenário 1: Joãzinho não fica quieto na sala de aula. Interrompe e perturba os colegas.

1959: Joãozinho é mandado à sala da diretoria, leva um chá de cadeira de mais de uma hora, vem o diretor, lhe dá uma bronca descomunal e ele volta tranquilo à classe. 

2010: Joãozinho é mandado ao departamento de psiquiatria, o diagnosticam como hiperativo, com transtornos de ansiedade e déficit de atenção em ADD. O psiquiatra  lhe receita  Rivotril. Ele se transforma num verdadeiro zumbí. Os pais reivindicam uma subvenção por ter um filho incapaz. 

Cenário 2: Com uma pedrada, Luiz Carlos quebra o farol de um carro no seu bairro.

1959:  Seu pai tira o cinto e lhe lasca umas sonoras chibatadas no traseiro… Nunca mais passa pela cabeça de Luiz Carlos repetir uma besteira do gênero. Ele cresce normalmente, vai para a universidade e se transforma num profissional de sucesso.

2010: Prendem o pai de Luiz Carlos por maus tratos. O condenam a 5 anos de reclusão e a abster-se de ver o filho por 15 anos. Sem ser guiado por uma figura paterna, Luiz Carlos se volta para as drogas, vira delinquente e acaba preso num presídio especial para adolescentes. 

Cenário 3: Rubinho cai enquanto corria no pátio do colégio. Machuca o joelho. Sua professora Maria,  o encontra chorando e o abraça para confortá-lo…

1959: Rapidamente Rubinho se sente melhor. Passam mertiolate no machucado e ele continua brincando.

 2010: A professora Maria é acusada de abuso sexual, condenada a três anos de reclusão. Rubinho passa cinco anos de terapeuta em terapeuta. Seus pais processam o colégio por negligência e a professora por danos psicológicos, ganhando os dois juízos. Maria renuncia à docência, entra em aguda depressão e se suicida…  

Cenário 4: Disciplina escolar

1959: Fazíamos bagunça na classe… O professor nos dava umas boas reguadas e/ou encaminhava para a direção; chegando em casa, nosso velho nos castigava sem piedade.

2010: Fazemos bagunça na classe. O professor nos pede desculpas por repreender-nos e fica com sentimento de culpa por tê-lo feito. Nosso velho vai até o colégio se queixar do docente e para consolar o filhote compra uma moto para ele. 

Cenário 5: Horário de Verão

 1959: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. Não acontece absolutamente nada.

2010: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. A gente sofre transtornos de sono, depressão, falta de apetite. Nas mulheres aparece celulite. 

Cenario 6: Fim das férias

1959: Depois de passar férias com toda a família, enfiados num Gordini, após 15 dias de sol na praia, chega a hora de voltar. No dia seguinte se trabalha e tudo bem.

2010: Depois de voltar de Cancún, numa viajem ‘all inclusive’, terminam as férias e a gente sofre da síndrome do abandono, pânico, estresse e seborreia… 

Fica a pergunta…

COMO FOI QUE VIRAMOS ESTE BANDO DE PALERMAS ?…

Comentários

comentários

Uma ideia sobre “Como foi que viramos este bando de palermas?

  1. Atena

    Oi, Luis:
    Tragicômico, não é?
    Palermice é até elogio para alguns comportamentos atuais. No caso dos professores eu diria que enfrentam pais com absoluta falta de consciência e respeito pelo ser humano.
    Vivemos em tempos midiáticos e de: o importante é ser célebre. A medicina, a meu ver, está perdida no meio de constantes “descobertas” que anulam as anteriores. Aff!
    Bom, a história humana é assim mesmo: se vai do 8 para o 80, só depois vem o equilíbrio. Estamos nos 40? rsrs
    Muito criativo o texto.
    abraços

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