3 ideias sobre “CARTA DO CACIQUE SEATTLE

  1. Luis Pellegrini Autor do post

    Cara Maria, existem inúmeras versões da Carta do Cacique Seattle. Publico aqui também o seu comentário sugerindo a bela versão traduzida pelo jornalista e intelectual baiano Adroaldo Ribeiro Costa. Nunca é demais insistir nas sábias palavras desse chefe da tribo norte-americana Sasquatch, cuja sabedoria até hoje raramente é igualada. Agradeço sua sugestão e elogios, Maria.

  2. Maria.

    Esta carta não me parece uma tradução verdadeira, pois fala de coisas que à epoca não existiam enquanto costume.
    Li Dee Brown em Enterrem meu Coração na Curva de um Rio e acho que a carta publicada no Jornal A Tarde por Adroaldo Ribeiro Costa é muito mais fiel e bonita! Segue:

    “Carta do Cacique Seattle”
    Adroaldo Ribeiro Costa

    “No ano de 1854, o presidente dos Estados Unidos fez a uma tribo indígena a proposta de comprar grande parte de suas terras, oferecendo, em contrapartida, a concessão de uma outra “reserva”. O texto da resposta do chefe Seattle, distribuído pela ONU e aqui transcrito na íntegra, tem sido considerado através dos tempos, como um dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio ambiente”.

    “Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada clareira e o inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
    Os mortos do homem branco esquecem suas terras de origem quando vão caminhar entre estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, o cervo, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem – todos pertencem à mesma família.
    Portanto, quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O grande chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
    Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembra-se de que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças do meu povo. O murmúrio das águas é o murmúrio de meus ancestrais.
    Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
    Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra para ele tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
    Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem. Talvez porque o homem vermelho é selvagem, não compreende.
    Não há lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de flores na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou selvagem e não compreenda. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se o homem não ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. o índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago e o próprio vento limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
    O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro. parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias é insensível ao mau cheiro. Mas, se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebeu seu último suspiro. Se lhe vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.
    Portanto vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
    Sou um selvagem e não compreendo outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados d pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou selvagem não compreendo como o fumegante cavalo-de-ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
    E que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com os homens. Há uma ligação de tudo.
    Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é a nossa mãe. Tudo o que acontece à terra acontece aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo estão cuspindo em si mesmos.
    Isto sabemos: a terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas com o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
    O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida, ele é simplesmente um de seus fios, tudo o que fizer ao tecido fará a si mesmo.
    Mesmo homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele e de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos e o homem branco poderá a vir descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que o possuem, como desejam construir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e sua compaixão é igual para o homem vermelho e o homem branco. A terra lhe é preciosa e feri-las é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que as outras tribos. Contaminam suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
    Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos seriam exterminados, os cavalos bravios sejam domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados no cheiro de muitos homens e a visão dos morros obstruídos por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a água? Desapareceu. É o final da vida e o começo da luta para sobreviver .”

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    “O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua poluindo a tua própria cama e hás de morrer uma noite, sufocado pelos teus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e dominado todos os cavalos silvestres, quando as matas misteriosa federem a gente e quando as colinas escarpadas se encherem de mulheres a tagarelar, onde ficarão os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e a caça; o fim da vida e o começo da luta para sobreviver.

    Talvez compreenderíamos se conhecesse-mos com que sonha o homem branco, se soubéssemos que esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, que visões do futuro oferece às suas mentes, para que possam formar os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são oculto para nós. E por serem ocultos, temos de escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos é para garantir a reserva que nos prometeste. Lá talvez possamos viver nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e sua lembrança não passar de sombra de uma nuvem a pairar sobre a pradaria, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós a amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças como era a terra quando dela tomaste posse. E com toda a tua força, o teu poder e todo o teu coração, conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus ama a todos. Uma coisa sabemos: nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. E nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.”

    Maria.
    PS: Seu site é FANTÁSTICO. Muito obrigada por TODAS as postagens.

  3. Diana Ramos

    Muito legal colocar aqui a carta Luis, sparabéns!
    Mais de um século! para mim o Cacique Seattle foi um visionário, um homem sábio que tão bem expressou o amor, a gratidão , o respeito de seu povo pela natureza e pela terra, e que tão poeticamente nos mostrou bem claramente o quanto precisamos da simplicidade para termos uma vida verdadeira.
    Infelizmente seu pedido só calou em poucos corações e a terra, assim como toda forma de vida sobre ela não foi protegida nem amada pela maior parte dos homens.
    Será que temos realmente consciência do que perdemos? Acho que ele já sabia.

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